A digitalização tem sido o ponto fundamental

Javier Tebas explica evolução digital da La Liga ao pormenor: «42% das receitas vêm fora de Espanha»

2019/11/08 15:13
Texto por Rodrigo Coimbra com Hugo Filipe Martins
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O mundo está em constante mudança em todos os setores e o desporto não é exceção. De braços dados com a tecnologia, a visão do futebol tem vindo a sofrer alterações e a La Liga é um exemplo claro disso, com cada vez mais espetadores em mercados como o indiano, asiático e norte americano. Tudo culpa de uma aposta interna nos mercados externos, sem esquecer quem vai aos estádios.

Num projeto iniciado há mais de quatro anos, sob o comando de Javier Tebas, presidente da La Liga, o futebol espanhol tem vindo a crescer exponencialmente, muito devido à aposta no mercado de dados, redes sociais e tecnologia, cada vez mais importante para um campeonato que luta taco a taco com o inglês pelo domínio do mundo do futebol.

A La Liga apresenta uma rede de gestores de redes sociais capazes de falar 18 idiomas, numa visão inteiramente global. A aposta é clara e ainda há muito para melhorar, mas Javier Tebas não escondeu o jogo. Em entrevista ao zerozero, o presidente da La Liga falou dos resultados desta aposta e dos problemas que terão os campeonatos que ignorem a digitalização. Antes de ver ou ler a entrevista, recomendamos o vídeo abaixo, que resume parte da iniciativa da La Liga e que foi transmitido na Web Summit, em Lisboa, horas depois de Javier Tebas ter conversado com o nosso site.

ZZ: Qual é a importância da tecnologia no futebol?

Javier Tebas: Muita, por dois aspetos. O uso pelos treinadores, scouting, treinos, está a utilizar-se muito e dá para optimizar os rendimentos dos jogadores. É importante também pelo contacto com os adeptos, tanto do âmbito da televisão como das redes sociais, tudo o que envolve a web. É um mundo que está em constante progresso, a nível desportivo e comercial, e é chave para o desenvolvimento do futebol em todo o mundo.

ZZ: Quais os objetivos e que impacto pode ter nas equipas?

Javier Tebas: Neste aspeto, é a digitalização. Temos clubes grandes, como o Real Madrid e o Barcelona, que avançam muito neste sentido, mas é importante não avançar apenas em quantia, de seguidores, adeptos, mas também na interação e tratamento que temos com eles. O nosso objetivo é que os clubes sigam o caminho da digitalização, que cresçam nesta relação mais direta com os adeptos.

ZZ: É uma forma de captar o público mais conectado?

Javier Tebas: Sem dúvida. Os millennial são uma geração que está por dentro dos meios digitais. A digitalização não serve apenas para os captar, serve fidelizar todos os outros. No mundo digital, primeiro tens de captar e depois manter os adeptos. Aqui é igual. Este mundo dá-nos oportunidades para manter os adeptos, não só captá-los. A experiência entre jogos, a informação é muito maior do que os adeptos tinham há 3 ou 4 anos.

ZZ: E quem não optar vai perder o comboio?

Javier Tebas: Claro. Não basta ter redes sociais, não basta ter um gestor de redes sociais a falar inglês e a dizer "goal". É muito maior. Está relacionado com o mundo dos dados, saber entender os dados dos adeptos e procurar satisfazê-los. É um mundo muito amplo, é uma revolução no desporto e no futebol. Outros setores já começaram a revolução mas ainda não a terminaram. Quem não fizer esta digitalização em vários aspetos - redes sociais, análise de negócios, análise de dados inteligência artificial -, todo este conceito dentro da indústria, vai ficar para trás, de certeza.

Javier Tebas em Nova Deli a promover o campeonato espanhol ©Getty Images

ZZ: Os adeptos são importantes no meio de tudo isto.

Javier Tebas: Sim, sem eles não o faríamos. Não são só os adeptos, é a sua conduta de comportamentos a chave do processo. Para satisfazer os adeptos e o telespetador, para que tenham uma experiência melhor, temos de conhecer bem os seus comportamentos e do que necessitam para continuarem ligados a nós. A digitalização permite isso mesmo e por isso é importante.

ZZ: O objetivo também passa por captar adeptos de outros mercados?

Javier Tebas: É um negócio global. Daquilo que arrecadamos em televisão, 42 por cento vem fora de Espanha, já é quase metade e tenho a certeza que vai aumentar pouco a pouco e que vai ser a parte maior. Temos de captar os adeptos, têm de gostar do futebol espanhol e têm de ter boas experiências com o futebol espanhol. Queremos que vejam jogos em direto. Nesta pirâmide é o máximo que procuramos com estas estratégias em meios digitais.

ZZ: E quem vai ganhar esta batalha tecnológica? O campeonato espanhol ou o inglês?

Javier Tebas: Eu acho que vai ser a La Liga a ganhar. Acho que estamos à frente, no negócio, em audiovisuais. Acho que hoje a Liga espanhola tem a melhor equipa e estratégia no âmbito da digitalização. Não é só redes sociais, não são só os sites, é trabalhar muito em torno dos dados. Quem são, como estão, o que fazem, quando fazem e acabarem por nos ver na televisão. Acho que nisso somos a liga mais avançada, até que algumas americanas de outros desportos.

Adeptos têm tido papel fundamental ©Getty Images

ZZ: Até agora, quais têm sido as principais dificuldades?

Javier Tebas: Tomar a decisão, decidir o caminho. Vejo outras indústrias concorrentes que não tomaram essa decisão. Nós levamos quase 4 anos a trabalhar isto. Não se decide isto de um dia para o outro, investir numa plataforma, como nós fizemos com a Microsoft. Foram mais de 20 milhões de euros. Não se decide da noite para o dia ter um departamento de negócios onde há matemáticos, engenheiros, físicos para dirigir, criar e conhecer bem as condutas de comportamento dos nossos adeptos. Não se faz em dois dias uma equipa que fala 18 línguas nas redes sociais, mas que também conhece a cultura dos sítios onde se dirige. Tudo está relacionado. Para nós, não entenderíamos o nosso crescimento sem ter este ambiente, que serve para conhecer os comportamentos dos utilizadores de vários desportos, não só do futebol.

ZZ: Um dos objetivos também passa por jogar fora do país, não é?

Javier Tebas: Quando jogas um jogo oficial, neste caso nos Estados Unidos, o que fazes é dar uma demonstração de respeito aos adeptos. É um jogo oficial da Liga, que tem 380 jogos, é apenas um jogo fora. É um tema essencial e bom para o nosso desenvolvimento, não só nos Estados Unidos como no Mundo.

ZZ: O que esperar do futuro?

Javier Tebas: Continuar os nossos projetos, continuar a crescer, relacionarmo-nos mais com os adeptos, avançar o projeto de dados inteligentes. Isto nunca acaba, pode fazer-se mais. A tecnologia é infinita nestes processos.

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