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      entrevista
      Jovem base tem brilhado na NCAA

      Hugo Ferreira: «Depois de ir para os Estados Unidos a NBA passou de sonho a objetivo»

      2020/05/22 16:00
      Texto por Vasco Moreira
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      Nos últimos anos, felizmente, temos tido vários jogadores portugueses a rumar aos Estados Unidos para estudar e, acima de tudo, jogar basquetebol nos campeonatos universitários norte-americanos. Hugo Ferreira é um dos casos mais recentes e falou ao zerozero sobre a sua experiência.

      O jovem base destacou-se no Campeonato da Europa de Sub-18 do último verão, o que lhe valeu a atenção de várias universidades da Divisão I da NCAA. Clevaland State foi uma delas e acabou por ser a escolha de Hugo para cumprir o sonho de rumar aos Estados Unidos. Nesta entrevista, como não podia deixar de ser, falamos sobre a pandemia, mas, principalmente, sobre o primeiro ano do jovem luso no país das oportunidades.

      O sonho do NBA, que entretanto passou a objetivo, foi outro dos temas abordados com o antigo jogador do Vasco da Gama, que revelou que continua a acompanhar o basquetebol português, com foco especial na Sanjoanense, onde atua o seu irmão. Pelo meio, contou também que conseguiu ver alguns dos seus ídolos ao vivo e deixou uma previsão para aquilo que esperar que aconteça na época que aí vem.

      A pandemia, por lá e por cá

      Zerozero: É difícil começar por outra pergunta, como é que tens vivido toda esta situação?

      Hugo Ferreira: Tem sido um desafio. É uma situação que acontece uma vez na vida e para a qual nunca estamos preparados. Mas acho que respeitando as normas e todas as regras, vamos conseguir ultrapassar tudo isto.

      ZZ: Ainda estavas no Estados Unidos quando começou a pandemia?

      Sim, ainda estava nos Estados Unidos. Os meus colegas de equipa já tinham voltado para casa - na minha equipa quase todos os jogadores são de diferentes estados -, mas eu ainda estava em Cleveland porque as viagens para a Europa estavam difíceis e já estavam a fechar fronteiras entre continentes. Mas houve um dia em que o meu treinador me ligou e disse que eu tinha autorização para viajar e viajei para Portugal no dia a seguir.

      ©Getty /
      ZZ: Nessa altura já havia regras de confinamento por lá ou ainda estava tudo normal?

      Nem sei dizer muito bem, porque eu, no tempo em que estive lá, praticamente não saía de casa. Quase todos os meus amigos já tinham regressado aos seus estados, por isso eu ficava mais por casa a tratar da universidade e dos exames que tinha. Só tive de ter algum cuidado quando ia comprar comida porque já havia algumas regras, mas nada de mais. A situação ainda não estava muito grave por lá.

      ZZ: Como é que tens passado o tempo?

      Lá, como já disse, passou mais pela universidade e pelos exames. Mas, como a época já tinha acabado, aproveitei para descansar o meu corpo. Tive uma ou duas semanas sem exercitar o corpo, mas quando vim para Portugal passei a dividir o meu tempo entre aulas, exames e workouts. Agora, como os exames e as aulas já acabaram, estou mais concentrado em ter uma rotina de treinos, para que possa preparar a minha época da melhor forma. Além disso, tenho aproveitado para estar com a família, porque estive muito tempo longe.

      ZZ: Tens mantido algum tipo de contacto com os treinadores e com a equipa no geral?

      Sim, temos meetings semanais no Zoom. E nos Estados Unidos temos treinadores pessoais para cada posição do campo. Então o meu treinador de posição liga-me sempre quatro/cinco vezes por semana para falar, seja de filme - ver os jogos da época e falar sobre eles -, seja para ver como é que estamos. Os treinadores são muito ativos na nossa vida. Tenho tido muito contacto, tanto com treinadores como com jogadores.

      ZZ: Já sabes quando é que vais regressar aos Estados Unidos? Como é que está a situação?

      Para ser sincero, não mesmo. Eu, para já, não tenho notícias sobre quando é que vou, nem nenhuma data marcada para ir. Aguardo aqui que me digam alguma coisa para saber quando é que vou.

      A experiência nos Estados Unidos

      ©CSU Basketball

      ZZ: Voltando agora um pouco atrás no tempo, como é que surgiu a oportunidade de rumares aos Estados Unidos?

      A oportunidade surgiu com a visibilidade a que fui exposto nos Campeonatos da Europa e tive uma pessoa a ajudar-me com este processo todo, que já está familiarizada com as coisas nos Estados Unidos. Desde aí, os treinadores contactaram-me e eu tomei a minha decisão.

      ZZ: E tinhas outras opções, além de Cleveland?

      Sim, sim. Depois deste último Campeonato da Europa, de sub-18, fui recebendo algumas chamadas de treinadores de diferentes faculdades de divisão I e no fim do Europeu tive de tomar uma decisão e decidi ir para Cleveland State. Eles tinham contratado um treinador novo, de Florida State, o coach Gates, e eu queria trabalhar com ele e achei que era a melhor opção para mim.

      ZZ: Ir para os Estados Unidos fez sempre parte do teu plano?

      Sempre foi um sonho. Não diria que sempre soube porque em Portugal não há muitas pessoas que vão para os Estados Unidos. Mas desde a minha última época de sub-16, em que me foi dito que tinha a possibilidade de ir para os Estados Unidos, comecei abordar a opção de uma forma mais aberta e a informar-me. A partir daí, sem dúvida que se tornou o meu principal objetivo.

      ZZ: Aos 18 anos, de repente, vês-te sozinho nos Estados Unidos, numa realidade completamente diferente… Como é que foi?

      Quando cheguei aos Estado Unidos e estava na auto-estrada, eu ainda pensava que estava em Portugal. [risos] Foi uma diferença tão grande… Só quando cheguei lá é que me apercebi da decisão que tinha tomado e do que tinha feito à minha vida. Mas acho que me adaptei bem e fui muito bem recebido. É uma cultura muito diferente, mas eu considero-me muito aberto e acessível a novas oportunidades e acho que me adaptei facilmente a este novo cenário na minha vida.

      ZZ: Quais é que foram as principais diferenças para aquilo a que estavas habituado em Portugal, tanto a nível de basquetebol como social?

      Aquilo que eu notei mais diferença foi no tempo, mesmo. Lá faz um frio que eu nunca tinha sentido em Portugal. Houve dias em que eu não consegui sair de casa por causa da neve. Chegaram a estar -12/-15 graus e era algo a que eu não estava habituado. A nível de basket, foi a fisicalidade do jogo. Os jogadores são maiores, mais ágeis, mais fortes e o estilo de jogo lá é mais fluído. Acho que essas foram as principais diferenças que encontrei.

      O balanço do primeiro ano

      ZZ: Um dos momentos mais importantes que deves ter vivido foi, certamente, quando foste distinguido por como o freshman da semana da Horizon League. Como é que recebeste a notícia?

      Foi um momento de muito orgulho, tanto para mim como para as pessoas que me acompanham. Tenho trabalhado como nunca antes tinha trabalhado, desde o primeiro dia, por isso foi um dia muito feliz para mim. Lembro-me que, no dia a seguir, o meu treinador pessoal ficou emotivo quando recebeu a notícia. Significou muito para mim, mas para ele também, porque temos trabalhado juntos desde o início e ele ficou muito feliz com a notícia.

      ©CSU Basketball
      ZZ: Acredito que tenhas tido condições para treinar como nunca tiveste. Em que aspetos do jogo é que achas que mais evoluíste?

      Sim, a principal diferença são mesmo as condições que temos. Por exemplo, se eu quisesse ir treinar para o pavilhão às duas da manhã, tinha essa possibilidade. Em termos do que mais evoluí, acho que foi perceber o jogo e comandar as peças da equipa. Era algo que eu já conseguia fazer, mas não com tanta qualidade. Mesmo a rapidez e o trabalho de mãos, que já eram pontos fortes, acho que evoluí muito desde que cheguei lá, tal como o meu lançamento.

      ZZ: Cleveland acabou a temporada no sétimo lugar da Horizon League. Para a próxima temporada, qual é que é o objetivo?

      Não vou mentir. Este ano foi o primeiro em que trabalhámos todos juntos, ou seja, foi um ano de adaptação, não só para mim, mas para todos. Mas acho que, com os novos jogadores que já assinaram e já tendo passado esta fase de adaptação, temos tudo para lutar pela nossa conferência e tentar ir ao March Madness.

      ZZ: Terminaste com médias de 4,6 pontos por jogo, 1,4 assistências e 1,2 ressaltos. Os números e o tempo de jogo corresponderam à tua expetativa?

      Na minha cabeça, eu acho que nunca é suficiente a ambiciono sempre mais, já faz parte de mim. Numa era em que os números falam mais do que qualquer outra coisa, espero no próximo ano estar ainda melhor e acho que com trabalho os números aparecem. 

      A NBA, os Europeus e Portugal

      ©FPB

      ZZ: A NBA já é um objetivo claro ou, para já, apenas um sonho?

      Claro que é um objetivo, sem dúvida. A faculdade é um processo muito longo e eu acho que tudo pode acontecer. Acho que tenho tempo de evoluir de modo a chegar a esse patamar e acho que há muitas formas de chegar à NBA. Mesmo que não seja depois da faculdade, mesmo que não entre através do draft logo a seguir à minha senior season, há outras maneiras. Pessoalmente, sinto-me capaz disso, sempre mantendo os pés assentes na terra, mas sem dúvida que, depois de ir para os Estados Unidos a NBA passou de sonho a objetivo.

      ZZ: Foste ver algum jogo da NBA?

      Sim, fui ver oito ou nove jogos. Vi o James Harden a marcar 55 pontos… Fui ver jogos em que participavam jogadores que sempre quis ver. Vi o Luka Doncic, o Giannis, o Harden, o Westbrook, o Zach Lavine, o Paul George e mais alguns que não me estou a lembrar. Sempre que tinha possibilidade, ia.

      ZZ: Tu foste um dos grandes destaques do EuroBasket Sub-18 (Divisão B) - médias de 15,5 pontos por jogo - em que Portugal conseguiu um bom sexto lugar. Olhando para trás, como é que vês a tua prestação e que importância atribuis a esse momento?

      Claro que me ajudou muito. Os Europeus foram o palco que me ajudou a dar o salto para os Estado Unidos, porque em Portugal era mais difícil ter essa visibilidade. Nos Europeus há sempre mais pessoas atentas e, na altura, até foi um dos analistas da ESPN que falou de mim a pessoas de interesse nos Estados Unidos e acho que foi a partir daí que o meu nome começou a ser mais falado. Acho que sem os Europeus nunca seria capaz de estar na posição onde estou.

      ZZ: Houve esse Europeu e, nesse mesmo ano, houve ainda a conquista de Portugal na Divisão B do EuroBasket de Sub-20. Como é que tens visto a evolução do basquetebol nacional?

      O basquetebol português não está no auge, porque já teve momentos muito bons, mas está muito bem em termos de formação. Acho que para o ano, quando Portugal tiver a oportunidade de jogar na Divisão A, vai ser uma ótima oportunidade para ver em que patamar estamos no basquetebol europeu e vai-nos dar ainda mais visibilidade.

      ZZ: Costumas acompanhar campeonato português?

      Acompanho sempre que posso. Acho que a Liga portuguesa está a melhor e, este ano, acolheram nomes como o Cory Sanders e outros jogadores de grandes universidades. O Sanders foi muito falado no nosso balneário, porque era um jogador que estava previsto ir para a NBA, sem qualquer sombra de dúvida, desde que saiu do college e acabou por ir para a nossa liga. Para além disso, acompanhava os jogos do meu irmão, que joga na Proliga, na Sanjoanense. Sempre que os jogos eram transmitidos ou tinha acesso ao jogo, eu via.

      ZZ: Para terminar, se falarmos daqui a um ano, o que é que esperas poder contar sobre a tua temporada?

      Espero poder dizer que tive a oportunidade de participar no March Madness e espero estar a contar a história dos grandes jogos que vamos ter pela frente. Para o ano vamos jogar a Duke, a Kentucky e a duas ou três faculdades de top 25/30 que ainda não posso revelar porque o calendário ainda não foi exposto. Mas serão experiências marcantes e espero que me possam fazer evoluir ainda mais.

      Lances Livres (Perguntas rápidas)

      Equipa favorita na NBA: Cleveland Cavaliers.

      Jogador favorito? LeBron James.

      Jogador modelo? Kyrie Irving, mas também sempre admirei o Allen Iverson e o Manu Ginóbili

      Melhor jogador com quem já jogaste? Algevon Eichelberger, o poste da minha equipa.

      Adversário mais difícil de defender? Antoine Davis, de Detroit Mercy.

      Treinador que mais te marcou? Dru Joyce, o meu treinador de posição em Cleveland State.



      Portugal
      Hugo Ferreira
      NomeHugo Morais Ferreira
      Nascimento2001-07-28(18 anos)
      Nacionalidade
      Portugal
      Portugal
      PosiçãoBase

      Fotografias(12)

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