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      Treinador do Differdange analisa o jogo dos 1/16 da Liga dos Campeões

      Bruno Amaral: «Acreditamos que podemos disputar e ser competentes neste jogo»

      2021/01/13 19:49
      Paula Ferreira Lobo
      E0

      O Differdange é o primeiro clube do Luxemburgo a atingir os dezasseis avos de final da Liga dos Campeões de Futsal. Num dos clubes mais portugueses do Grão-Ducado – se não mesmo o mais português – também a equipa técnica fala português, e tem em Bruno Amaral o seu timoneiro.

      Durante o mês passado, o Luxemburgo endureceu as medidas de combate à pandemia, e proibiu a atividade desportiva, o que até colocou em risco a realização do jogo da ronda anterior. Para poder preparar a embate com os checos do Chrudim, a equipa do Differdange rumou a Portugal, e é em Ovar que tem feito a preparação do jogo, que ficará na história do clube e do futsal luxemburguês seja qual for o resultado. O zerozero esteve à conversa com Bruno Amaral, onde o treinador atribuiu o favoritismo da eliminatória ao adversário, mas não escondeu a ambição e fala de um projeto que, garante, vai continuar a dar que falar no futsal internacional.

      Esta entrevista foi realizada na tarde de terça-feira, 12 de janeiro de 2021.

      Zerozero: O Differdange é uma equipa muito portuguesa a dar cartas e a fazer história pelo Luxemburgo, visto que foi a primeira equipa luxemburguesa a chegar aos 1/16 da Liga dos Campeões.

      Bruno Amaral: Verdade. Foi a primeira equipa a passar esta fase. Este ano num formato diferente dos anos anteriores, mas sim, acaba por ser a primeira equipa luxemburguesa a estar nos dezasseis avos de final.

      ©Zé Paulo Silva

      ZZ: Como é que para vocês pensar nesse feito? Por exemplo, o teu caso, que treinaste equipas da segunda divisão portuguesa, passaste para o Luxemburgo, e em três épocas estás nos dezasseis avos da Champions. É fruto do trabalho?

      BA: Sim, a minha ida para o Luxemburgo tem muito a ver com esse fator desportivo da Liga dos Campeões. O clube falou-me dum projeto ambicioso: na altura eles não tinham sido campeões e queriam voltar a ganhar o campeonato e a ter hegemonia do campeonato luxemburguês, mas acima de tudo, em termos desportivos uma presença numa Liga dos Campões foi um fator que pesou bastante na minha decisão. Para quem vai daqui poder jogar a Liga dos Campeões é tremendo!

      Felizmente conseguimos, não da forma que desejávamos porque o campeonato não acabou, e não fomos campeões, mas estar em primeiro lugar na altura da paragem acabou por nos dar direito a isto. Mas sim, é fruto do trabalho, trabalho de toda a gente. Trabalho do clube, do staff, dos jogadores, da equipa técnica também, na qual estou incluído, e isto é consequência desse trabalho todo feito desde a chegada.

      ZZ: Vocês na fase anterior apanharam uma equipa inglesa. Inglaterra também não é um país que tenha muita tradição na modalidade [como o Luxemburgo também não é], mas apesar de tudo os ingleses tinham apostado na Champions, e tinham se reforçado com nomes interessantes – brasileiros e espanhóis com currículo. Ainda assim, foi uma vitória contundente vossa, que não deu margem para dúvidas a ninguém.

      BA: Sim, foi. Acabou por ser uma boa vitória, não éramos favoritos. Os ingleses têm muito mais historial que nós na própria competição - eles estiveram quase sempre presentes nos últimos anos - e claramente apostaram na competição, com o recrutamento de atletas espanhóis e alguns dos melhores ingleses – eles acabaram por recrutar para esse jogo os jogadores ingleses com mais estatuto - mas nós também fizemos um trabalho muito bom. O scouting foi difícil, precisamente porque a equipa adversária contratou oito jogadores para esse jogo, mas acima de tudo o que nós fizemos foi trabalhar em cima daquilo que geralmente fazemos e queremos fazer, e acabou por ser uma vitória bastante boa e competente da nossa parte.

      qAcabou por ser uma boa vitória, não éramos favoritos
      Bruno Amaral

      ZZ: E depois o sorteio acabou por ser amigo, por um lado, porque é uma equipa mais acessível que outras que poderiam apanhar, nomeadamente o Barcelona, que é o detentor do troféu. Mas, por outro lado, preferiam ter apanhado o Barcelona pela projeção que isso poderia ter dado ou estão felizes com o sorteio que tiveram?

      BA: Nós estamos muito tranquilos em relação a este sorteio. Sabíamos que no enquadramento que tínhamos a possibilidade de defrontar os favoritos era um prémio muito interessante. Em termos desportivos sabíamos que seriam mais acessíveis o Chrudim e o Dobovec, embora o Dobovec num nível diferente, na nossa opinião.

      Quando nós soubemos as equipas que nos poderiam calhar começamos logo a trabalhar nisso, no scouting, perceber os jogadores, e claramente o Dobovec era o adversário que nós não queríamos nesta fase. Era uma equipa muito interessante, mas para jogarmos com uma equipa favorita preferíamos que fosse o Barcelona ou o Benfica.

      O Chrudim acaba por ser, em termos desportivos, uma equipa que nos dá mais hipóteses de poder competir e poder disputar o jogo. Acaba por ser um sorteio amigo, mas claramente que o Chrudim é uma equipa mais favorita que nós. Mas nós acreditamos claramente no nosso trabalho, e acreditamos que podemos disputar e ser competentes neste jogo, e é nisso que estamos a trabalhar neste momento.

      qClaramente que o Chrudim é uma equipa mais favorita que nós
      Bruno Amaral

      ZZ: E a trabalhar a partir de Portugal. Vieram todos para Portugal tendo em conta que no Luxemburgo foram proibidos de treinar – e de jogar também, falaremos disso mais à frente. Estão a trabalhar onde?

      BA: Nós estamos em Ovar. Conseguimos aqui uma casa para estarmos isolados, porque também pretendíamos algum isolamento das restantes pessoas, e estamos numa casa na zona de Ovar, em Válega mais precisamente, e estamos a treinar em Pindelo, no Pavilhão da PARC, pessoas que mal souberam deste nosso problema colocaram logo à disposição as instalações deles para nós podermos trabalhar. Também temos feito alguns treinos da parte da manhã em Pardilhó, no Pavilhão do Saavedra Guedes, pessoas que também nos disponibilizaram as instalações para conseguirmos trabalhar, e estamos extremamente agradecidos a todos eles.

      Indo ao encontro daquilo que estavas a dizer, sim, estamos a treinar aqui porque não nos deixam treinar no Luxemburgo. Proibiram-nos. O campeonato já tinha sido interrompido e, entretanto, com as novas regras que impuseram em dezembro, continuaram a não nos deixar treinar no Luxemburgo. Claro que para preparar uma competição destas precisamos de trabalhar, e encontramos aqui a situação ideal. Já estamos aqui vai fazer três semanas, e ficamos até irmos para a República Checa, na quinta-feira.

      ZZ: Pois, porque – eu não vivo no Luxemburgo se calhar não posso pôr as coisas nestes termos, mas – chega a ser um bocadinho de intransigência, até. Vocês tiveram inclusivamente o vosso jogo da ronda anterior em risco, porque a quatro dias do jogo disseram-vos que nem jogar podiam…

      BA: Foi isso que aconteceu.

      ZZ: …E acabaram por ir jogar em França.

      BA: Sim. Isso foi realmente… não sei, não consigo dizer se está correto, se não. Agora, há alguma intransigência. Normalmente havia uma regra para competições profissionais, e a Liga dos Campeões é considerada uma competição profissional embora nós não sejamos, mas mesmo assim o Ministro do Desporto foi intransigente e disse que não havia competições nenhumas no Luxemburgo. Felizmente temos pessoas competentes dentro da nossa estrutura diretiva, que sabendo que poderia haver esse problema começaram logo a pensar num plano B. No dia que nos disseram que não havia competições o nosso presidente, juntamente com algumas pessoas da comuna de Differdange, conseguiram arranjar juntamente com os colegas franceses um pavilhão para nós jogarmos. Só por causa dessa forma de pensar do nosso presidente, que pensou num plano B, se conseguiu resolver essa questão. Felizmente conseguimos jogar em França, porque se não tivéssemos jogado com certeza não estávamos nesta fase. Não nos podíamos apurar sem jogar, obviamente.

      qO Ministro do Desporto foi intransigente
      Bruno Amaral

      ZZ: E vieram para Portugal e vão embora precisamente na altura em que o desporto provavelmente vai parar.

      BA: Pois. Nós viajamos para a República Checa na quinta-feira. Os timings estão a bater todos certos. Sabemos e temos ouvido que as coisas estão complicadas, e que estão a planear um confinamento geral, mas pronto, o nosso prazo acaba por bater aí. É a tal coisa, andamos aqui a fugir das coisas. À partida vamos conseguir viajar para a República Checa, esperamos nós, para disputar o jogo.

      ZZ: Depois do jogo na República Checa voltarão as Luxemburgo. E se passarem? Vão poder treinar?

      BA: Sim. O Luxemburgo entretanto já reabriu algumas situações, e uma delas é o desporto. Nós sabemos que regressando ao Luxemburgo já conseguimos treinar. Pelo menos é isso que nesta altura já está a acontecer, a não ser que, entretanto, pensem de forma diferente e voltem a fechar as coisas. O que está previsto também é o campeonato começar dia 7 de fevereiro. À partida, tudo leva a crer que possamos treinar e preparar o que aí falte.

      ZZ: Depois desta participação - mesmo que acabe nos dezasseis avos - não deixará de ser histórica e muito meritória. A partir daqui o objetivo vai ser esse? Os dezasseis avos passarão a ser a exigência mínima ou isto será considerado excecional dentro daquilo que é o vosso projeto?

      BA: Dentro daquilo que era o projeto desportivo do Differdange esta passagem aos dezasseis avos era bastante importante. Era uma coisa que nós planeávamos e que queríamos, mas acaba por ser um sonho uma passagem destas. Era um sonho do staff diretivo, claramente que eles tinham essa ambição ao trazer alguns jogadores de qualidade conhecida em Portugal, jogadores portugueses, e ambicionávamos esta passagem. Felizmente conseguimos isso. Mas claro que daqui para a frente se calhar já vamos querer mais do que aquilo que alcançamos. Primeiro, temos as nossas competições internas, que queremos ganhar. Queremos ganhar o campeonato. A Taça do Luxemburgo foi cancelada, mas ainda temos o campeonato para disputar e queremos ganhar. A partir daí é novamente tentar passar uma ronda, como passamos este ano, e o que vier a seguir é por acréscimo. Mas sim, se alcançamos isto, com a ambição que nós temos, queremos no mínimo alcançar o mesmo.

      qQueremos ganhar o campeonato
      Bruno Amaral

      ZZ: É interessante teres tocado no ponto do recrutamento que vocês fazem no campeonato nacional, que era uma questão que te queria colocar. Vocês têm no plantel nomes conhecidos do nosso campeonato – com o Djô à cabeça, pelo historial que tem, mas também o Xot, o Teka, e mais recente o Rafael Bocum, que estava no Fundão. Esta estratégia é para continuar? Sendo que o poder jogar a Champions é um argumento apelativo, pois jogadores como o Bocum dificilmente iriam disputar a Champions…

      BA: Claro, é difícil, e os jogadores sabem disso. Eu também, como treinador, para jogar uma Champions tinha que estar num Benfica ou num Sporting, e foi também um bocado por causa disso [esse fator desportivo] que acabei por ir para o Luxemburgo. Eu penso que os jogadores também pensam dessa forma. Para jogar uma competição como a Champions, a jogar em Portugal, terão que estar no Sporting ou no Benfica. Se calhar alguns já não pensam nessa possibilidade [de jogar num grande] e embarcam num projeto como o Differdange, que acaba por ser um contexto bastante favorável para eles.

      Não é só o fator desportivo, é o fator profissional também, que está tudo englobado. Nós quando fazemos o nosso scouting em Portugal pensamos em jogadores para jogar mas também sabendo que o contexto é o do trabalho, e cada vez mais damos importância a esse facto. Têm que ser pessoas humildades e que tenham essa capacidade para trabalhar, porque é muito difícil viver do futsal no Luxemburgo, para não dizer impossível. Com os custos de vida no Luxemburgo não é com o que eles ganham com o futsal que vão conseguir ter alguma coisa, então nós temos esse contexto, que acho que é favorável. Tudo aquilo que é falado e é prometido é aquilo que é dado. Com a vinda destes jogadores de renome em Portugal acaba por tornar mais fácil de puxar outros que também queiramos juntar ao plantel. É dentro disto que nós vamos trabalhando, e estamos sempre atentos ao mercado nacional, que é aquele que nós temos maior conhecimento.

      ©Zé Paulo Silva

      ZZ: Pois, há a necessidade de ter uma atividade profissional extra futsal. Mas o que esta situação prova é que há um comprometimento do clube com os objetivos desportivos, porque vocês estão todos em Portugal há 3 semanas a dedicarem-se ao futsal precisamente porque o clube tem este projeto bem definido e sustentado, e permite aos jogadores – não é viverem do futsal – mas terem todas as condições para poderem dedicar-se ao futsal quando necessário.

      BA: Sem dúvida! No Luxemburgo nós trabalhamos quase todos na área da restauração, e nesta altura, com essa questão de os restaurantes estarem fechados, acaba por facilitar esta nossa presença aqui em Portugal, porque se fosse num contexto normal, que estivesse tudo a funcionar normalmente, era difícil. Se calhar conseguiríamos fazer um estágio antes um bocadinho, mas nunca com este espaço temporal de 3 semanas. Foi uma conjetura que acabou por ser favorável, e nós conseguimos estar aqui a trabalhar, mas claramente há o compromisso do clube com estas competições que nós temos para disputar. Eles comprometem-se a dar as condições para nós podermos trabalhar com qualidade e felizmente temos conseguido fazê-lo da melhor forma possível.



      Portugal
      Bruno Amaral
      NomeBruno Filipe Oliveira Amaral
      Nascimento1980-08-23(40 anos)
      Nacionalidade
      Portugal
      Portugal
      FunçãoTreinador

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