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      Athletic

      Texto por João Pedro Silveira
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      O Athletic de Bilbau tem uma das famosas leisdo futebol mundial que nunca foram escritas. No Athletic Club só jogam bascos, nenhum jogador 'estrangeiro' pode vestir a camisola dos leones e por 'estrangeiros' entendam-se todos aqueles que nasceram fora do País Basco, Navarra e País Basco francês. E, por bascos, leia-se todos os filhos de bascos nascidos fora do País Basco ou todos aqueles que, mesmo nascendo fora do País Basco, tenham vivido em Euskadi desde tenra e idade e tenham feito o seu percurso desportivo nas escolas do Athletic.

      Todavia, e ao contrário do que muitos possam pensar, o Athletic não começou como um clube 100% basco, pois as raízes rojiblancas, como era costume no fim do século XIX, remontam a Inglaterra.  O futebol chegou à Biscaia por mãos inglesas. Foram os muitos súbditos de Sua Majestade que trabalhavam nos portos biscainhos que começaram a jogar nos tempos livres a um jogo a que chamavam football, que aos poucos foi conquistando os locais. 
       
      Fundação e primeiros sucessos
       
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      Um grupo de jovens do Gimnásio Zamacois apaixonado pelo jogo dos ingleses resolveu fundar uma equipa de futebol, como as que existiam em Inglaterra. A constituição legal do clube demorou três anos e só teve lugar a 5 de abril de 1901, assinada no Café García, na Gran Vía Don Diego López de Haro, uma das mais famosas artérias bilbaínas. Por essa altura nasceu também o Bilbao FC, com quem o Athletic detinha uma feroz rivalidade. O futebol era recente na cidade e cada novo clube que surgisse, em suma, enfraqueceria os clubes existentes, concorrendo com eles na angariação de novos sócios e jogadores.
       
      Apesar da intensa rivalidade, um ano depois, os adversários juntaram forças para disputar a Copa de la Coronación, um torneio de âmbito nacional, que comemorava a Coroação do Rei Afonso XIII. Athletic Club e Bilbao FC jogaram juntos com o nome de Bizcaya, e foi assim que venceram a competição, batendo o FC Barcelona na final, que se realizou no hipódromo de Madrid.  No ano seguinte, uma assembleia geral do Bilbao FC concordou terminar com o clube, transferindo todos os seus sócios para o Athletic Club. Já unificado, o clube bilbaíno disputou a nova Taça do Rei, que venceu, batendo o Madrid FC (Real Madrid) novamente no hipódromo da capital.
       
      Conquistas leoninas
       
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      Os leões voltaram a vencer a Taça do Rei em 1904, apesar de não disputarem a final, porque não havia forma dos diversos clubes de Madrid se entenderem quanto a quem devia defrontar o Athletic na final.  Nos dois anos seguintes, o Athletic voltou à final, mas em ambas perdeu com o Madrid FC. Em 1907, o Athletic repetiu o método de 1902, apresentando uma equipa conjunta com o Unión Vizcaino, para ressuscitar o Bizcaya. A equipa venceu a fase final, mas acabou por ser vencida pelo Madrid FC na final. Durante as épocas seguintes, os leones iniciaram a histórica rivalidade com a Real Sociedad e assinaram campanhas históricas na Taça do Rei: quatro vitórias em oito finais atingidas nos 12 primeiros anos da competição.
       
      Mudança de equipamento
       
       Em 1903, a fama do Athletic já era tão grande que um grupo de bascos radicados em Madrid fundou o Athletic Club Sucursal de Madrid, futuro Atlético de Madrid. A filial, impedida pelos estatutos de defrontar a casa-mãe, viu-se assim afastada das competições nacionais.
       
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      No campo, bilbaínos e madrilenos, equipavam à Blackburn Rovers, coma  camisola dividida em duas partes iguais, em azul e branco, e calções azuis. Nesse ano, Juanit Elorduy, um ex-jogador da sucursal madrilena, deslocou-se a Inglaterra para adquirir um novo conjunto de kits para os dois Athletic, mas na impossibilidade de comprar equipamentos idênticos aos do Rovers, resolveu trazer para Espanha equipamentos iguais aos do Southampton FC: camisola com listas verticais em vermelho e branco e calções pretos. Na chegada a Bilbau, Juanit Elorduy levou os equipamentos para San Mamés e o Athletic passou a equipar como o Southampton. Já os kits que sobraram, seguiram para Madrid.
       
      A era «Pichichi» e a construção de San Mamés
       
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      Em Bilbau e por toda a Espanha, nenhum goleador é mais sinónimo de golo do que Rafael Moreno Aranzadi, o Pichichi. Começou a jogar no Athletic em 1911, mas só quase dois anos depois é que fez o primeiro jogo oficial pelo clube, numa vitória por 3x0 sobre o Real Madrid. Ficou na história de San Mamés, por ter sido o autor do primeiro golo da Catedral bilbaína, num empate 1x1 frente ao Racing Irun. 
       
      Durante os dez anos que defendeu a camisola dos leones, Pichichi apontou 200 golos em 170 jogos oficiais, conquistou quatro Taças do Rei e cinco campeonatos regionais, num tempo em que ainda não existia ainda o Campeonato de Espanha. Mais que os golos, foi o lenço branco que usava na cabeça que se tornou na sua imagem de marca. Deixou o futebol com 29 anos, acabando por falecer um ano mais tarde, vitima de tifo. 
       
      Os mágicos anos 30 e a Guerra
       
      O boom de popularidade do futebol espanhol tornou possível a criação de uma Liga nacional, que começou a ser disputada em 1928. Com o inglês Fred Pentland no banco, o Athletic entrou na era mais gloriosa da sua história. No espaço de seis anos, entre 1930 e o começo da Guerra Civil Espanhola, o Athletic conquistou quatro Ligas e quatro Taças. A 18 de julho de 1936 rebentou um pronunciamento militar no Protetorado Espanhol em Marrocos, com o objetivo de derrubar a República Espanhola. Os rebeldes nacionalistas, apoiados pela Itália fascista e Alemanha nazi, passaram a controlar uma parte considerável do território espanhol.
       
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      O País Basco e a Catalunha tornaram-se desde a primeira hora um baluarte republicano. Ao contrário da mais esquerdista Catalunha, a sociedade basca era mais conservadora e católica. Contudo, o apoio à causa repúblicana caminhou de braço dado com o nacionalismo basco. Em setembro de 1936, o País Basco e as Astúrias eram as únicas regiões do norte de Espanha que se mantinham fiéis à República. No ano seguinte, o Governo Basco formou a Seleção Nacional, que partiu para França em abril com o objetivo de angariar fundos. A esmagadora maioria dos jogadores do Athletic, que conquistaram La Liga 1935/36, partiram então para defender a camisola de Euskadi. Outros, por sua vez, ficaram para lutar de arma na mão.
       
      Foi já em Paris que os jogadores souberam do triste bombardeamento de Guernica, por parte da Força Aérea alemã, apoiante dos nacionalistas do General Franco. Os bascos prosseguiram a aventura por Checoslováquia, Polónia e União Soviética, onde receberam a notícia que Bilbau havia caído nas mãos do exército nacionalista. A maioria destes jogadores não voltou a pisar solo espanhol, acabando por embarcar para Argentina e, mais tarde, México, onde uma equipa basca disputou o campeonato local e terminou no segundo lugar. 
       
      Com o fim da Guerra, o País Basco e o resto de Espanha estavam domados pelo implacável General Franco. Por consequência, o Athletic teve que deixar cair o estrangeirismo, passando a designar-se Atlético de Bilbao. O clube só voltou a ser Athletic depois da morte do Generalíssimo. 
       
      Telmo Zarra
       
      Os anos 40 foram difíceis para a Espanha. Enquanto o país recuperava do conflito fratricida, o resto da Europa degladiava-se na II Guerra Mundial. Medidas austeras foram tomadas em Bilbau e, sem dinheiro, o clube passou a apostar mais na cantera. Os resultados chegaram com o passar da década e nasceu uma fabulosa equipa em San Mamés. A linha da frente ainda hoje é citada de trás para frente pelos adeptos do Athletic: Rafa Iriondo, Venancio Perez, José Luis Panizo, Augustin Gainza e Telmo Zarra. 
       
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      Até ao final da década, o Athletic conquistou uma Liga (com dobradinha), e três Taças, aos quais se juntaram mais uma Liga e quatro Taças nos anos 50. Em 1957, o Athletic estreou-se na Taça dos Campeões Europeus, tendo atingido os quartos de final, onde acabou eliminado pelos Busby Babes do Manchester United. No ano seguinte chegou mais um feito, com um sabor especial: em pleno Santiago Bernabéu e diante do super Real Madrid (o clube apoiado pelo regime), os leones conquistaram a Copa del Generalíssimo (antiga Taça do Rei).
       
      Lento declínio e ressurgimento
       
      Depois de conquistar a Liga Española 1955/56, o Athletic atravessou um longo deserto até voltar a erguer a taça de campeão de Espanha. Os anos 60 e 70 foram de lento declínio, com a exceção das conquistas das Taças 1968/69 e 1972/73. O grande momento acabou por chegar em 1976/77, quando o Athletic chegou pela primeira vez à final de uma competição europeia, nesrte caso a Taça UEFA. Depois de eliminar Ujpest, Basel, AC Milan, FC Barcelona e Molenbeek, os bascos enfrentaram a Juventus no jogo decisivo. Os leones conseguiram uma vitória por 2x1 em San Mamés, mas foi insuficiente face à derrota sofrida em Turim (1x0).
       
      Na década de 70, outro marco importante: nasceu a Academia de Lezama. O Athletic reforçou o seu projeto de formação para alimentar a equipa principal. Foi um dos apaixonados pela ideia da formação que acabou por tomar conta da equipa, conseguindo recuperar o sucesso. Javier Clemente, foi o timoneiro do último período glorioso dos rojiblancos. Numa equipa com Andoni Zubizarreta, Andoni Goikoetxea e Manuel Sarabia, os leones puseram um fim no longo jejum de 27 anos e conquistaram a Liga 1982/83, conseguindo revalidar o título na época seguinte ao qual juntaram a Taça do Rei, celebrando mais uma vez a dobradinha.
       
      O fim de uma era
       
      Nos últimos anos do século XX assistiu-se ao lento declínio dos leões de Bilbau. Afastados dos títulos, os bilbaínos viram o seu clube ser definitivamente ultrapassado pelos rivais de Madrid e pelo FC Barcelona, perdendo terreno também para Atlético Madrid, Valencia e para o emergente Deportivo. Contudo, os leones puderam continuar a afirmar que, juntamente com Real Madrid e FC Barcelona, eram os únicos em Espanha a terem jogado sempre no primeiro escalão. 
       
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      Em 1996, o Athletic recorreu pela primeira vez a um jogador 'estrangeiro' para atuar no seu clube. O eleito foi o internacional gaulês Bixente Lizarazu, natural de Donibane Lohizune (Saint-Jean-de-Luz), no País Basco francês. Lizarazu tornou-se num símbolo do clube, da causa basca e do caráter transfronteiriço da nação basca. 
       
      No novo milénio, o Athletic viveu momentos complicados, ao ponto de evitar a despromoção na última jornada da Liga em 2005/06. O susto acordou o clube que, em 2011/12, depois de eliminar o PSG, Manchester United, Schalke 04 e Sporting, qualificou-se para a final da Liga Europa, onde foi derrotado pelo Atlético Madrid (3x0). O fim do jejum de troféus só chegou três anos mais tarde, quando o Athletic bateu (4x0 e 1x1) o Barcelona na final da Supertaça de Espanha, conquistando um troféu 31 anos depois do ano dourado de 1984, época mítica em que conquistou Liga, Taça e Supertaça. 
       
      Entretanto, o emblema de Bilbao também se destacou no potenciamento e venda dos seus jogadores, com grandes encaixes financeiros: Kepa Arrizabalaga (Chelsea) por 80M€, Aymeric Laporte (Manchester City) por 65M€, Javi Martínez (Bayern Munique) por 40M€ e Ander Herrera (Manchester United) por 36M€.
      Comentários (1)
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      motivo:
      DA
      Athletic Bilbao
      2014-10-15 22h30m por David7Villa
      Bonita história a do Athletic.
      Estádio
      San Mamés (La Catedral)
      Lotação53000
      Medidas104x68
      Inauguração1913