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      Champions 00/01: Um Bayern campeão, 25 anos depois

      Texto por Jorge Ferreira Fernandes
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      Sendo apenas uma de três equipas que chegaram aos três títulos europeus consecutivos, o Bayern de Munique notabilizou-se ao longo das várias décadas do século XX como uma das maiores instituições futebolísticas do continente. Um clube de referência na Alemanha que se fez grande não só pela quantidade de craques que quase sempre teve nos seus plantéis e pela quantidade de títulos domésticas, mas também pela forma como conquistou o Velho Continente, tornando-se numa dor de cabeça para quase toda a gente. 

      Em 2000/2001, depois de duas épocas de sucesso com Ottmar Hitzfeld, a hora do gigante bávaro chegou. E com muito drama à mistura, como não podia deixar de ser, afinal, dois anos antes, o mesmo clube de Munique foi um dos protagonistas da alucinante reviravolta do Manchester United, em Barcelona. O equilíbrio entre o Bayern e o Valência foi tanto que se teve de adiar a decisão da final de Milão para as grandes penalidades. Aí, a lenda Oliver Kahn entrou para a eternidade e carimbou o regresso aos títulos europeus, 25 anos depois da hegemonia com Beckambauer. 

      Convém recordar que, enquanto terceiro classificado do último campeonato espanhol, o Valência, finalista dessa mesma Champions, foi obrigado a participar na eliminatória de acesso à fase de grupos. Os che derrotaram sem problemas os austríacos do FC Tirol Innsbruck, numa demonstração de superioridade que não teve acompanhamento da única equipa portuguesa presente nesse momento. Depois de falhar o hexa e de acabar em segundo, o FC Porto tinha no caminho para a elite os belgas do Anderlecht. Já não era o mesmo Dragão dominador e isso ficou bem evidente quando o conjunto de Fernando Santos acabou sem um único golo marcado e um sofrido, pelo checo e mítico Jan Koller, que atirou os azuis e brancos para a Taça UEFA. 

      Quem estava mesmo de regresso aos melhores dos melhores era o Sporting, campeão nacional em 2000 depois de quase duas décadas de jejum. O grupo não se afigurava fácil. Para além do campeão em título Real Madrid, o segundo classificado da Bundesliga anterior, o Leverkusen, e o campeão russo, o Spartak de Moscovo. A participação até não começou nada mal para os leões, com um empate a duas bolas, em Alvalade, contra os merengues e uma derrota pela margem mínima, mas novamente com uma boa imagem, por 3x2, na Alemanha. Os confrontos com o Spartak seriam, por isso, decisivos, mas foi precisamente aí que a coisa começou a correr de forma dramática. Para além da derrota na Rússia, goleada sofrida em casa, antes dos 4x0 no Bernabéu. Nem na última jornada, quando não tinham nada a perder, os verde e brancos foram capazes de amealhar um triunfo. Seis partidas, duas igualdades, quatro derrotas, cinco golos marcados, 15 sofridos. Uma das piores participações de uma equipa portuguesa na Champions, em suma. 

      O campeão Sporting não esteve nada bem ©Getty / Christof Koepsel

      Nessa primeira de duas fase de grupos, para além da participação desastrosa do Sporting Clube de Portugal, uma ou outra surpresa a destacar. Desde logo o primeiro lugar do Sturm Graz, um conjunto austríaco que participava apenas pela terceira vez na Liga dos Campeões. Ainda assim, outros resultados marcaram ainda mais do que esta surpresa da Europa Central. O Leeds, que começou a ganhar algum crédito na passagem de um milénio para outro, acabou em segundo no grupo do AC Milan, relegando para a Taça UEFA o Barcelona. Pior do que os catalães só mesmo a Juventus, que terminou o seu grupo na última posição, atrás de Hamburgo, Panathinaikos e Deportivo da Corunha. 

      A segunda fase de grupos, mais equilibrada, à partida, acabou por confirmar algumas das ideias que vinham desde o início da competição. Logo no grupo D, o Real Madrid parecia lançado para tentar repetir o feito do ano anterior. Comandados por Del Bosque, os merengues repetiram os 13 pontos e a liderança, mesmo contra adversários manifestamente mais complicados. Era o início da era Galáctica, já com Figo ou Roberto Carlos em plano de destaque e com o avançado da casa, Raúl González, a brilhar. Mas a principal história do grupo foi mesmo o apuramento do Leeds, de Mark Viduka, um clube que tinha sido só verdadeiramente gigante na década de 70. À Lazio de Fernando Couto, campeã italiana em título, calhou a fava. 

      A Juventus já tinha caído antes, a Lazio acabou em último no grupo de Real Madrid e de Leeds, mas as desilusões italianas nesta Champions não se ficaram por essas duas formações. Com a possibilidade de poder jogar a final da competição na sua própria casa, o AC Milan não fez melhor do que o terceiro lugar, num grupo onde o Deportivo, campeão espanhol, confirmou que era um caso sério também a nível internacional e onde o Galatasaray surpreendeu tudo e todos. Já Bayern de Munique e Valência apresentavam sinais prometedores, acabando cada um no primeiro lugar. 

      Terminadas as duas primeiras fases, chegava o tempo das eliminatórias, do mata-mata. Não faltavam duelos interessantes, mas o mais apetecível de todos, em teoria, era o que opunha Manchester United e Bayern de Munique, vencedor e finalista vencido da mítica Champions de 1999. Desde aquela noite mágica de Barcelona que o caminho destes dois grandes do Velho Continente não se tinha cruzado. Pois bem, se os red devils tinham sido mais felizes, o novo milénio marcou a vingança para Hitzfeld e os seus pupilos. Duas vitórias, ambas pela margem mínima, a reporem um pouco da justiça. É que os bávaros já tinham sido a melhor equipa dois anos antes, no jogo de todas as decisões e emoções.  

      Não faltou equilíbrio e competitividade ao resto das partidas dos quartos de final. O Galatasaray, por exemplo, continuou a dar uma boa imagem, ao bater o Real Madrid por 3x2 na primeira-mão. Jardel e companhia, no entanto, não tiveram capacidade para lidar com o conjunto merengue em pleno Santiago Bernabéu, acabando derrotados por três golos sem resposta. O Leeds United prosseguiu o seu estado de graça, batendo por 3x2 no conjunto das duas mãos o Deportivo e o Valência carimbou mais uma página na sua história, com o segundo apuramento consecutivo para as últimas quatro melhores equipas do Velho Continente, alcançado às custas do Arsenal de Wenger, numa noite em que Carew foi decisivo. 

      Em estreia, Valencia foi impressionante ©Getty / JOSE JORDAN
      As quatro equipas mais consistentes e regulares foram premiadas com a posição de semifinalistas. O sorteio ditou que podíamos ter pelo segundo ano consecutivo a mesma final, mas o Bayern não deixou que Real e Valência voltassem a discutir a Orelhuda. Tal como aconteceu com o Manchester United, os bávaros ganharam as duas partidas, ambas pela margem mínima, primeiro 0x1 na casa do rival, 2x1 em Munique depois. Era a prova definitiva de que aquela equipa estava mais experiente e mais bem preparada para tocar no céu da Europa. Os protagonistas, de uma certa forma, mantinham-se, mas o traquejo era outro.  

      Pelo segundo ano consecutivo, o Valência também carimbou a passagem à final da Liga dos Campeões. Os che tinham pela frente um surpreendente Leeds que já tinha feito história, mas que não conseguiu lidar com o poderio e o pragmatismo do conjunto de Héctor Cúper. Em Inglaterra, o 0x0 até parecia simpático para o clube que lançou para a ribalta nomes como Rio Ferdinand, Kewell ou Alan Smith, mas, no Mestalla, o 3x0 tratou de provar qual a melhor equipa e quem estava mais bem preparado para ser campeão europeu. 

      Milão, capital europeia da moda, foi cidade europeia do desporto a 23 de maio de 2001. Ao Bayern e à era de Ottmar Hitzfeld só faltava o título europeu; o Valência tinha contas para ajustar depois da final perdida em 2000. De um lado nomes como Ayala, Cañizares, Mendieta ou Aimar; do outro, figuras como Kahn, Lizarazu ou Élber, que tinham acabado de festejar o tricampeonato alemão e que, por isso, estavam mesmo na crista da onda, prontos a terminarem com um interregno de 25 anos para o gigante de Munique. 

      O jogo começou a correr de feição para o Valência. Logo aos três minutos, através de uma grande penalidade, Mendieta inaugurou o marcador em San Siro. Pouco depois, na conversão de outro castigo máximo, Scholl não conseguiu bater Cañizares. A vantagem no marcador fez com que o conjunto de Cúper tivesse uma postura altamente defensiva, de entrega do domínio ao adversário, que, na segunda parte, com inteira justiça, acabou por chegar ao empate. Era a final dos penáltis, uma vez que também a partir dos 11 metros Effenberg restabeleceu a igualdade. O prolongamento não trouxe golos e a Champions ficou mesmo decidida no último desempate. Dois gigantes da baliza frente a frente, grandes defesas, mais até do que alguma incompetência de quem bateu, mas, no final, sobressaiu o mais lendário dos dois, o alemão Kahn. E o jejum que já ia num quarto de século acabou para um dos maiores clubes do planeta. 

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      jogos históricos
      U Quarta, 23 Maio 2001 - 19:45
      Stadio Giuseppe Meazza
      Dick Jol
      1-1
      Stefan Effenberg 51' (g.p.)
      Gaizka Mendieta 3' (g.p.)
      Estádio
      Stadio Giuseppe Meazza
      Lotação80018
      Medidas105x68
      Inauguração1925