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      O Melhor dos Jogos
      Carlos Daniel
      2021/11/26
      E0
      Este espaço, do jornalista Carlos Daniel, pretende ser de abordagem e reflexão sobre o futebol no que o jogo tem de melhor. Quinzenalmente, uma equipa será objeto de análise, com notas concretas que acrescentam atualidade.

      Pode haver três equipas portuguesas nos oitavos da Champions. Não é absolutamente provável mas é verdadeiramente possível. E seria histórico, além de que só provaria algo que há muito me parece viável, mesmo que contrarie a ideia feita, sobretudo em momentos de desilusão na UEFA, de que as equipas portuguesas são apenas de Liga Europa, de uma espécie de segunda divisão europeia. Prova-se que não: uma equipa portuguesa com bons jogadores e bem treinada – e isso pode aplicar-se a qualquer dos grandes nesta altura - por bater-se com equipas de maior ambição, mesmo se construídas sobre orçamentos bem mais fermentados. O melhor exemplo é o Ajax, expoente de coerência no perfil do jogador que procura e de continuidade no trabalho de um treinador magnífico (Erik Ten Hag). Num país de perfil futebolístico semelhante, ainda não surgiu, em anos recentes, um Ajax, mas há três emblemas que exibem em simultâneo, e apesar das diferenças, uma competência de orgulhar. Por isso é que o Borussia de Dormund já caiu e o mesmo destino podem ter Barcelona, Atlético de Madrid e Milan. Não é coisa pouca.

      E ainda nos falta deixar de (des)valorizar os jogadores em função da equipa onde crescem. A rivalidade ao limite leva, por exemplo, a que continue a custar a muitos que se diga que João Félix é um talento dos maiores ou que Francisco Conceição é muito mais que um cavador de penaltis. São dois craques. Como Fábio Vieira também é. Como Weigl está muito acima da média para o futebol português, Luis Díaz a caminho de um dos melhores da Europa e Pedro Gonçalves comprova ser de nível extraordinário, principalmente quando enquadra a baliza para finalizar. O talento não tem cor. Sobretudo não a da camisola, de certeza.

      A maior infelicidade do Benfica para não estar já apurado na Champions não foi o desperdício de Seferovic, antes a mudança de treinador no Barcelona. Até porque é óbvio para todos que os encarnados não mereceram ganhar na Catalunha e até podem agradecer o empate esperançoso às exibições superlativas de Vlachodimos e, principalmente, Otamendi. Do outro lado esteve foi um Barça que regressa à melhor casa da partida, em que se cuida da bola como de um filho e o talento não se mede em palmos nem contabiliza pela idade. A melhor ideia para os jogadores e os melhores jogadores para a ideia. É a chave do sucesso. Ou a Xavi.

      E por falar em treinadores que aproximam o sucesso, Rúben Amorim merece o mais vincado aplauso. Por razões técnico-táticas, na coerência e na convicção com que se agarra a uma ideia. Pela ambição doseada mas sempre crescente, de quem assume que o que já conquistou é apenas o início do caminho para um ponto mais alto, dele e do Sporting. Pela liderança de um grupo que se percebe unido como nenhum outro nem Portugal. Pela qualidade na mensagem com que agarra os adeptos até na hora da derrota e mais ainda pela humildade inteligente na hora da vitória, quando lembrou, por exemplo, que também Paulo Bento conseguira um apuramento idêntico já lá vão uns anos. Treinadores e principalmente pessoas como Amorim só fazem bem ao futebol.



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